domingo, 4 de abril de 2010

Arte e Vida

Este é o título de uma matéria publicada hoje no Caderno 2 Domingo, do jornal O Estado de São Paulo, a respeito da obra e opiniões da pianista portuguesa Maria João Pires. A matéria é assinada por João Luiz Sampaio.

Maria João Pires nasceu em Lisboa, em 1944, e aos 5 anos de idade deu seu primeiro recital. Completou seus estudos na Alemanha, tem Mozrt, Schubert e Beethoven como bases de seu repertório e é celebrada como uma das maiores pianistas da atualidade, uma das mais requisitadas e aplaudidas. E nesta segunda ela se apresenta na Sala São Paulo.


Pois bem: as opiniões da pianista são francas e desconcertantes, e acho muito importante que nós, músicos e aspirantes, leiamos essas opiniões. "O comércio da música nada tem a ver com a arte", é o primeiro tapa com luva de pelica. Sua relação pessoal com a música não é algo de comercial. "A música tem um lado sublime que nos ajuda a entender e ultrapassar nossas limitações, em especial a nossa dificuldade de encontrar harmonia".


Sua postura com relação à formação musical é também muito interessante. Ela defende "a ausência de rigidez, de uma introdução intelectualizada à arte. Há gente que seduz o aluno, para que ele toque e seduza o público, impressione o pai, a professora. A arte assim perde a força, não transforma".


Mas a ausência de rigidez não implica falta de disciplina: "Na música e na vida, a disciplina é o princípio da liberdade. Temos de aceitar nossos limites. A gente nasce e morre, não pode voar, os limites estão aí. Mas, dentro deles, há espaço para a transformação. A música não precisa ser uma finalidade, mas um caminho. O importante não é formar grandes músicos e sim seres humanos que entendam como a arte pode ajudar".


Ela continua: "Fazer música é sentir-se parte de alguma coisa, de uma comunidade, é reencontrar valores perdidos. (...) Fazer música é recuperar esse universo perdido [do sonho], encontrar a si mesmo e ao outro. Estar junto é aceitar a diferença - e por isso não concordo com o estudo solitário. Ele leva à solidão e isso é para mim uma temeridade".


Eu e este site concordamos plenamente com Maria João Pires. E aplaudimos em pé.

Nenhum comentário: