segunda-feira, 30 de maio de 2011

Autoral - Zimbo Trio (2011)


Nos dias 14 e 15/5, em São Paulo, aconteceram os shows de lançamento do novo CD do Zimbo Trio, Autoral. Diferente do que acontece com a música instrumental em nossos dias, o Zimbo não aporrinha o ouvinte com improvisos intermináveis. Aliás, o pianista, compositor e arranjador Amilton Godoy gosta de solos que não passem de quatro chorus. Na minha opinião, longe de tosar a criatividade dos músicos, essa regra tácita faz os bateristas Pércio Sápia e Rubinho Barsotti, e o baixista Marinho Andreotti exercitarem a habilidade de construir solos com começo, meio e fim. Além disso, os arranjos do professor Amilton já não são coisa simples. Em "Bom dia São Paulo", música de abertura tanto do show quanto do CD (gravado ao vivo em novembro de 2010), Pércio é exigido técnica e criativamente. Em "Teus olhos", o que se exige do baterista é a sensibilidade, e ela não falta. "Divertimento" tem um groove bem diferente do que se costuma ouvir no brazilian jazz, flertando com o samba-funk, e funciona muito bem. Em "Notas que falam", Pércio coloca muito bom gosto no solo. É difícil explicar por quê o "trio" tem quatro integrantes, mas em "Teste de som" Rubinho Barsotti volta a seu lugar à bateria. Inclusive, vale observar algo bem característico: Rubinho gosta do som da caixa com a esteira desligada, por lembrar mais o som do tamborim. Ao vivo, ele também toca a clássica "Nanã", em que faz a levada da bateria batucando com os dedos. Essa não foi registrada no CD, mas Pércio a gravou recentemente para seu CD solo, em dueto com Rubinho (Ih, Pércio! Falei!). Pra terminar, Pércio volta à bateria para tocar outro clássico, "O batráquio". E nessa não há limites para os solos: todo mundo quebra tudo!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Novidades do Fernandão


O site de Fernando Schaefer traz novidades. Ele está mais legal, melhor de navegar e a trlha sonora é ótima (o tema de "O Poderoso Chefão", de Enio Morricone e Nino Rota!). No conteúdo, datas, gravações, alguns vídeos matadores de um dos mais brutais bateras extremos do Brasil. Quebra tudo aê, Fernandão!

E, é claro, ele já esteve por aqui!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Paulo Zinner em Santoshttp://www.blogger.com/img/blank.gif


Próxima quinta, dia 26/5, Paulo Zinner faz workshop e show com sua Rockestra no SESC Santos. Conhecido por sua carreira no rock brasileiro, fundador do Golpe de Estado e da Paulo Zinner Rockestra, o baterista tocou por dez anos com Rita Lee e Roberto de Carvalho e já teve a oportunidade de tocar com Ian Paice, Glen Hughes (Deep Purple), Andy Summers (The Police), Grahan Bonnet e Joe Lynn Turner (Rainbow), Ney Matogrosso e Caetano Veloso, entre outros.

O workshop começa às 15h e é de graça. Ele mostra sua técnica e seus grooves diferenciados, responde perguntas sobre técnica, música, produção e carreira e interage com o público, chamando alguns músicos ao palco para tocar com ele.

O show da Paulo Zinner Rockestra começa às 21h e inclui toda aquela gama de clássicos do rock que influenciaram e ainda influenciam muitos músicos, incluindo Deep Purple, Dio, Whitesnake, etc. Nas músicas, muito improviso e faixas autorais, como "Sanguessugas", da própria Rockestra, e músicas de Rita Lee e Golpe de Estado. Com Zinner, tocam na Rockestra Fernando Piu (guitarra), Daniel LaTorre (hammond), Rodrigo Mantovani (baixo) e Jenifer Pauzner (voz).

26/5, quinta, no SESC Santos
R. Conselheiro Ribas, 136 (Bairro Aparecida)
Informações: (13) 3278-9800

Ingressos:
Workshop: entrada franca
Show: R$8,00 (inteira), R$4,00 (usuário SESC, maiores de 60 anos, professores públicos e estudantes) e R$2,00 (trabalhador do comércio matriculado).

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Girls on Drums 2


Vera Figueiredo, Simone Sou, Jully Lee, Shirley Granato e Lucy Peart dividem o palco nesta sexta, dia 20/5, na segunda edição do Girls on Drums, realização da Drum Time Escola de Bateria e Percussão. “Como já tive muitas alunas na escola e muitas vezes reparei que os pais acham que bateria é coisa de homem, resolvi criar um evento dedicado aos tambores tocados por mãos femininas” diz Joel Jr., baterista e diretor da Drum Time, idealizador do festival. “Em 2010 tivemos a primeira edição com muita gente interessada em ver o evento”.

Na primeira edição participaram as bateristas curitibanas Dani Gomes, Clau Sweet Zombie e Lucy Peart, e as paulistas Fernanda Terra e Naná Rizinni. Para a segunda edição, o cast recebe estrelas brasileiras que já alcançaram o cenário mundial da bateria, Vera Figueiredo e Simone Sou, e também as bateristas curitibanas Shirley Granato (Filó Soul Fia Funk), Lucy Peart (Punkake) – que retorna ao palco do evento depois de votação feita em 2010 – e Jully Lee (Santos-SP), esta uma verdadeira baterista a la metal 80’s, com uma bateria gigantesca.

Nesta sexta, 20/5, a partir das 20h, no Jokers Pub (R. São Francisco, 164, Curitiba - PR). Ingressos na Drum Time, no Jokers e na Drum Shop Instrumentos Musicais: R$15 antecipado, R$20 na porta. Mais informações: (41) 3322-5462.

terça-feira, 17 de maio de 2011

SouKast e Oleg Fateev

O Soukast é um duo de bateria e percussão (ou percuteria) formado por Simone Sou ("que solta ritmo por todos os poros", na bela definição de James Muller) e Guilherme Kastrup (um dos muito requisitados bateras/percussionistas de São Paulo). Vocês lembram deles. Oleg Fateev é um acordeonista moldavo (da Moldávia, sabe onde é?). E o show que acontece hoje é um re-encontro deles, que fizeram um show fantástico em 2009 na Copenhagen Jazzhouse, na Dinamarca, unindo o repertório do duo, com música brasileira e elementos eletrônicos, e a incrível habilidade do músico do Leste Europeu. Esse re-encontro acontece hoje, 17/5, a partir das 21h, na Casa do Núcleo (R. Cerda Padre, 25, São Paulo), espaço de Benjamim Taubikin, e o próprio promete uma participação. Entrada R$20.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sobre critérios

Todos já ouvimos falar de critério, inclusive em se tratando de música e de história, especialmente em se tratando de crítica. Mas aquilo que temos sérias dificuldades de encontrar são aqueles que de fato usam de algum critério na mídia musical. Então surge a pergunta: o que é, afinal, ter critério?

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa define critério como “Faculdade de distinguir o verdadeiro do falso. Capacidade, autoridade para criticar”. A palavra tem raízes no grego “kritérion”, que pode ser traduzido como “padrão que serve de base para que coisas e pessoas possam ser comparadas e julgadas”. Significa ter capacidade e autoridade para criticar (Wikipedia). O professor José Lourenço de Oliveira, no artigo “Disquisição [investigação] sobre o vocábulo ‘critério’”, publicado no livro O Espírito Mediterrâneo (UFMG, 1951), observa que o vocábulo grego vem da raiz indo-européia “krei”, que significa “separar”. Podemos concluir que usar de um critério significa diferenciar. Separar o que serve para determinado propósito do que não serve.

Tanto o uso quanto o esclarecimento prévio acerca de quais são os critérios utilizados é defendido pelo poeta, tradutor e ensaísta mexicano Octavio Paz (1914-1998) no artigo “Sobre a crítica”, publicado na Revista Confraria nº 25 (e disponível aqui). Falando sobre literatura, ele escreveu que o ponto fraco da América Latina e da Espanha é uma tradição crítica não muito profunda – apesar de contarmos com críticos muito bons, incluindo o próprio Paz, os que ele cita no texto e os brasileiros Décio Pignatari e Haroldo de Campos. Segundo Paz, “a crítica é o que constitui o que nós chamamos uma literatura, e que não é mais que a soma das obras, que o sistema de suas relações: um campo de afinidades e de oposições”.

Transcendendo a observação de Paz para a música, apenas trocando a palavra “literatura” do texto citado por “cena”: por aqui temos resenhas, e não críticas, e poucos críticos de fato criteriosos, ainda mais em se tratando de música popular. Ainda segundo Paz, “a missão da crítica não é de descobrir as obras, mas de as relacionar umas com as outras, de as ordenar, de indicar sua posição dentro do conjunto e em acordo com as predisposições e tendências de cada uma. Nesse sentido, a crítica tem uma função criativa: ela inventa uma literatura (uma perspectiva, uma ordem [uma cena, como nos convém incluir]) a partir das obras”. Isto é, a crítica cria diálogos entre as obras. E o bom crítico é aquele que dialoga com a obra – e não com os autores.

Teofrasto (372 a.C. - 287 a.C., sucessor de Aristóteles na escola peripatética) deixou escrito que "Um orador sem critério é como um cavalo sem freio". E a revista Modern Drummer Brasil acaba de realizar um exercício neste sentido, com a publicação da matéria “A História da Bateria no Brasil”: um cavalo – metáfora para o tempo no imaginário e na poesia de Alceu Valença, posto que falamos de história – bem domado.

Os critérios para a construção do artigo foram bem claros e expostos duas vezes, uma no editorial da edição nº 100 e outra na introdução do texto (aliás, você costuma ler editoriais de revistas? Deveria. É lá que estão a linha editorial e os pressupostos teóricos da revista – isto é, seus critérios). Os critérios para a pesquisa executada pela equipe MD podem ser resumidos com o nome de uma das seções da revista: “Só vale se tocar”. Os bateristas inclusos na história que a revista pesquisou e relatou são aqueles que produzem e trabalham, com música, arte e conhecimento; estudam, aliás, estudam muito; tocam, aliás, mais do que estudam, e transformam qualquer trabalho em algo digno; tem comprometimento e dedicação ao instrumento, e foco na música; e, sem dúvida, são absolutamente talentosos. Podemos resumir os critérios adotados a uma única palavra: relevância. Tornar-se relevante é fazer algo mais que executar bem o instrumento. É mudar o rumo da música e influenciar outras pessoas. Para se identificar os relevantes é preciso estabelecer um horizonte e verificar quem está aonde segundo tal horizonte.

Neste ponto encontramos de novo o “kritérion” – “padrão que serve de base para que coisas e pessoas possam ser comparadas e julgadas” – ou um horizonte. A quantidade de colaboradores é a evidência de que o critério é válido. A pluralidade de discursos lapida a informação. Ao contrário da internet – onde há inúmeros discursos (ironicamente) desconectados – foi publicado um único discurso, polifônico como uma fuga barroca, é verdade, mas único. Não há “achismos”. Não há parcialidade. Há um consenso multifacetado, um caleidoscópio de informações direcionado para a música mas, ainda assim, que reflete o que está acima do horizonte: “Só vale se tocar”.

Termino expressando minha admiração por um músico em especial, que colaborou maravilhosamente para o artigo: Azael Rodrigues. Seu texto “Música instrumental do Brasil + Vanguarda Paulista”, na página 42 da MD nº100, é de longe o melhor da edição. A maneira como Azael construiu o texto interconecta a revista física, o leitor, a internet, a expressividade e a história, uma mixagem digna de um filme de Quentin Tarantino. Isso, senhoras e senhores, é a crítica como arte.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Jalapeño no Prata da Casa

O baterista Pedro Prado toca com seu Jalapeño Project hoje no SESC Pompeia (R. Clelia, 93), a partir das 21h. A entrada é franca, mas é preciso retirar os ingressos com uma hora de antecedência. Junto com Pedro (bateria e efeitos eletrônicos) tocam Paulo Kishimoto (guitarra e teclados) e Gustavo Mazon (baixo e sintetizadores).

Quem gosta de comida mexicana conhece a pimenta jalapeño, uma pimenta verde que é mais picante que as vermelhas. A música do power trio instrumental paulistano que abre o Prata da Casa em maio também é ardida. Mas deve ser consumida em fartos bocados, para que todas as suas nuances sejam percebidas. Rock, reggae, jazz e funk são alguns dos ritmos abraçados pelo grupo em “Verde”, seu CD de estreia. A banda persegue um som novo, combinando instrumentos analógicos com programações eletrônicas, baixo acústico e samples de hip hop.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jazz e erudito


O baterista e percussionista Leandro Lui tem semana cheia. Hoje, às 14h (daqui a pouco!), ele toca com a Orquestra Sinfônica de Santo André na Sala São Paulo. Amanhã, 3/5, entre 20h e 21:30, ele toca música brasileira instrumental e jazz com o Djez pra 5, no Ton Ton Jazz (Al. dos Pamaris, 55, São Paulo). E daí na quarta, dia 4/5, de novo com a Orquestra Sinfônica de Santo André, desta vez no Teatro Municipal de Santo André, às 14:30.